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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Manis-cal -- Pintura



A série atual de Pinturas surge de minhas diárias experiências morando e trabalhando na Galeria Menescal em Copacabana.
 

Medidas: 1,30m x 1,30m Técnica mista




A galeria é como uma rua de vitrines onde as transparências e as iluminações tendenciosas se alternam com a opacidade dos velhos relevos de deuses mitológicos, imagens que se encontram acima quase no teto, curiosamente, vigiando como no “céu” o andar dos cidadãos, e neste habitat puramente cidadão existe um personagem principal : 
O maniquim.


 


Olhando para eles foi percebendo como somos provocados por imagens e como construímos relações com essas imagens muitas vezes sem nos dar conta.
Mais além da rotina desses objetos-corpo que nos participa para o consumo, podemos perceber algo mais atrás desses seriados que enchem o espetáculo das vitrines.
São as imagens inanimadas plástica, padronizada, fria e estática dos manequins que ao se tornar este signo de representação do humano, denuncia um simulacro, e aponta para uma problematização estética e política de questões sob corpo. Discursos e saberes sobre o corpo que hoje são  (re) apropriados pela cultura têm suas origens em grandes embates, tanto na história da filosofia, como na história da arte, e até da ciência médica buscando esta cada vez mais num pensamento reducionista as menores estruturas biológicas com um fim de controle . É a razão se impondo sobre nossos corpos.
 




E os maniquins que são? Serão um símbolo de poder querendo controlar nossa existência? Um modelo que representa uma população que se guia por movimentos previsíveis, aparências de plástico, roupas de marca ostentando artificialidade?
E no marco de um mundo que nos seduz nos detemos diante de uma vitrine e olhamos  para os maniquins como dominamo-os, e não será ao contrário eles que nos observam?




São estas questões que me move a pintar este mundo MANIS-CAL símbolo atuante em qualquer cidade contemporaneadade.








terça-feira, 17 de abril de 2012

Engrenagens - pintura




O projeto Engrenagens promove a apresentação de pinturas mostrando formas indefinidas que lembram restos de tecnologia, máquinas e lixo em geral. A pintura  parte da observação de objetos reais ou fotografados, que ao serem reproduzidos se mostram de formas diferentes. 
A obra mostra o “ver” que não foi reconhecido pela fotografia.


A ideia surge de uma longa observação em ambientações reais dos pátios de trás das casas do povoado onde nasci. Uma sorte de entulhos e restos de maquinárias antigas captadas por meios fotográficos, cobram vida através da câmera. As pessoas os escondem na vã ilusão de mostrar apenas a arrumação da frente da casa, mas eles fogem dos espaços como se tivessem movimento próprio.


Em essência, não se diferenciam dos objetos que participam de nosso cotidiano urbano, (eletrodomésticos, computadores, celulares e tantos outros) só que estes não estão ocultos, muito pelo contrário, eles dominam o nosso cenário diário e nós deixamos essa dependência acontecer sob o convincente argumento da praticidade e o “de não termos tempo para nada”.


Nesse ato de fundir os tempos, fui buscar na pintura os objetos que convivem no meu cotidiano (incluídas imagens da internet). O trabalho de observação inicial se ampliou às esferas do imaginário revelado pela vida humana, cedida aos objetos ou fragmentos cobrando um perfil contraditório.


Atento a estas questões sobre os objetos me pergunto se eles permanecem divididos na incoerência de sua existência ou possuem uma existência que lentamente vai sendo inserida nos corpos humanos (chips de controle, por exemplo) chegando ao ponto de não sabemos se eles estão dentro ou fora de nós.


O resultado final é uma síntese de partes de máquinas, mistura de lixo e tecnologia, sem narrativa expressa. Nela, nem tudo é instantâneo; existem também camadas ocultas que tornam o espaço em cruzamentos mais complexos. Embora mantenham lembrança de restos de máquinas, o observador não tem certeza de ter uma opinião quanto a que coisa é essa que está pintada e que nome tem.


Ainda sobre a visualidade: algumas partes da estrutura dos quadros oferecem certa estranheza, provocado por algo que parece desconectado, e outras partes aparecem quase obvias pelo reconhecível. Essa dualidade meio ambígua reflete uma visão atual do mundo, misto de certezas e dúvidas.